quarta-feira, 15 de julho de 2015

É Preciso Libertar as Mães!

O texto abaixo está em Português de Portugal, há algumas poucas palavras diferentes e a acentuação também, mas é totalmente compreensível. Vale cada minuto da leitura. Ela ganhou meu coração. Da Autora: Constança Ferreira – Terapeuta de Bebés e Conselheira de Aleitamento Materno OMS/Unicef.

“É preciso libertar as mães das teorias. É preciso libertar as mães das tabelas com horas. Das aplicações de telemóvel que apitam a avisar que é hora do bebé comer. Ou de mudar a fralda. Ou de dormir. É preciso libertar as mães dos palpites e conselhos que as fragilizam. Dos “especialistas” e seus métodos “infalíveis”. De todos aqueles que paternalisticamente lhes dizem, ainda que mais ou menos subtilmente, que estão a fazer tudo mal.
É preciso libertar as mães da pressão de que têm que saber logo tudo. Ou que têm que acertar à primeira.
 
É preciso libertar as mães da ideia de que os seus bebés não sabem nada. De que precisam de ser orientados em tudo. De que os bebés não sabem o que é melhor para eles.
– Os bebés sabem sim o que é melhor para eles. E o melhor para eles em quase todas as situações é estar junto à mãe. Por isso o pedem.
– É preciso libertar as mães da ideia de que o bebé precisa de “aprender a dormir”. Ou a “autoconsolar-se”. Ou que é preciso incentivar o bebé a ser autónomo mal sai da barriga.
Sim, o bebé será autónomo um dia.
Provavelmente no dia em que deixará também de ser isso mesmo: um bebé.
(e esse tempo chega tantas vezes rápido demais)
Mas, para já, este é o tempo para estarem juntos. Os bebés humanos não são, por determinação biológica, autónomos. Eles precisam das mães.
– Há muitos motivos para ser assim. Entre eles conta-se a sobrevivência da espécie. Mas falaremos melhor sobre isso noutra ocasião.
 
Para já, é preciso dizer às mães que os bebés precisam delas porque é mesmo assim. Não porque a mãe esteja a fazer algo de errado. E é preciso libertar as mães do medo dos “vícios e das manhas” para que o colo que o bebé lhes pede não lhes pareça uma prisão.
 
É preciso libertar as mães de quem acha, mais ou menos dissimuladamente, que os bebés são pequenos seres manipuladores. É preciso libertar as mães da pressão “para não ceder”.
 
É preciso libertar as mães da ideia de que um choro de fome é mais importante que um choro assustado que pede colo ou aconchego no meio da noite.
 
E é preciso.. não… é urgente libertar as mães da desconfiança para com os seus bebés.
Porque ninguém se apaixona desconfiando.
Porque no fundo, o que é preciso é libertar o coração das mães.
Só assim, sem medos nem reservas, o coração das mães poderá ser tão inocente como o coração dos seus bebés.
Então depois, depois de libertarmos o coração das mães, é preciso libertar-lhes os braços. Libertá-los das tarefas domésticas que possam ser feitas por outros. Libertá-los da pilha de roupa para engomar. Libertá-los das visitas que esperam lanche.
Libertar os braços das mães é urgente.
Porque se os braços das mães estiverem libertos, elas terão muito mais vontade de os colocar em volta dos seus bebés.
 
E o olhar das mães. Também é preciso libertá-lo porque, para que tudo melhore, as mães precisam de um olhar disponível para os seus bebés. Nenhum livro, nenhum manual de instruções, poderá alguma vez falar do nosso bebé, como nos falam os seus pezinhos, as mãos, as bolhinhas no canto da boca, as caretas quando está zangado, a testa franzida quando está a ficar com sono, os estalinhos da língua quando quer mamar ou os barulhinhos que faz enquanto dorme.
As respostas estão todas ali. É ali que devemos procurá-las.
 
É preciso libertar as mães.
Porque quando uma mãe é finalmente libertada de tudo o que não a ajuda a ligar-se ao seu bebé, acontece a magia.
Acontece a confiança para fazer o que se acha melhor.
Acontecem as respostas às perguntas que nos atormentam: Será que tem fome? Será que tem sono? … Será que eu vou ser capaz?
Sim as respostas chegam.
 
Mas só, quando, finalmente em liberdade, as mães conseguem escutar e entender a linguagem secreta entre si e os seus bebés.
E saberão que ser mãe não é uma lista de tarefas.
Não é um método.
Não são certos nem errados.
Somos nós.
Diferentes, é certo.
Com medo, por vezes.
Mas ainda assim.
Nós.
Inteiras. Confiantes.
Nós com o nosso bebé nos braços.”
 
Tenho certeza que muitas mamães assim como eu, se identificarão com o texto.
 
 
 

domingo, 12 de julho de 2015

Super Especial - Com a palavra, o Vovô

Uma criança é sempre uma bênção numa família, não importa sob quais circunstâncias ela chega. Uma prova disso é a nossa, (nesse caso especificamente, a família onde eu nasci). E hoje trago algumas palavras do meu pai, o avô corujão da Alice. A relação deles é muito bonita, ela adora ele. Ele faz bagunça, brinca, deixa ela a vontade, e nunca a tratou diferente. Bom, chega de enrolação e vamos ao que interessa:

Com vocês, o vovô:

"Super Especial

Acredito que todos querem ser avós, por isso aguardei muito ansioso a chegada da Alice. Estava viajando a trabalho no dia que ela nasceu, e a caminho de casa tentava imaginar seu seu rostinho, seu jeito, suas características,  - Será que vai ter um pouquinho de mim nela? - E tem! A teimosia e a determinação, quando ela quer, ela faz mesmo. 

Quando veio a notícia de que a Lilica foi diagnosticada com Microcefalia, como todos na família, senti alguma coisa diferente, uma preocupação, uma angústia, que desapareceu em seguida. Ao acompanhá-la nos primeiros dias, percebi que não importava sua condição, mas sim, a alegria e o amor que ela nos trouxe. É incrível, mas ela conseguiu mudar a todos nós, nos trouxe paz e resgatou a unidade familiar que andava meio apagada. 

No decorrer dos primeiros meses,  compreendemos que apesar da Microcefalia, aparentemente ela não tem nenhuma síndrome, apenas algumas dificuldades de desenvolvimento e aprendizado. Sempre falei pra minha filha Sara que não via a Alice como diferente, apenas mais "devagar". Não assimilei ainda essa coisa de especial, não sei explicar, mas sei que ela vai conseguir fazer a seu tempo, tudo o que qualquer criança faz, não interessa quanto tempo leve, mas ela vai conseguir.

Sei que logo vou poder sair com ela, ir no parquinho, tomar sorvete, andar de bicicleta, etc... Quando vejo que ela não consegue fazer alguma coisa e busca nossa ajuda, querendo que façamos por ela, vejo que ela já assimilou, já entendeu, então para quem nem comia, hoje vejo um progresso enorme.

Pequenos aprendizados e atitudes dela me enchem de orgulho, não por ela ser especial, e sim porque é determinada. 

Alice, Lilica, Jujubinha, Nena... Ela transmite muito amor, e é extremamente carinhosa, tem o abraço mais gostoso que já recebi. Seu sorriso, sua luz e alegria, sua curiosidade e suas artes (sim, ela já faz muita bagunça), fazem dela uma menina Super Especial, e seus pais - Sara e Juliano - que em momento algum se queixaram ou omitiram e que fazem de tudo por ela, juntamente com os avós, bisavós, tios, primos e amigos faz de nós uma família Hiper Especial.

Que venham os desafios, Alice vai vencê-los um a um."

Vovô Paulo








Meu pai não contou, mas ele foi o primeiro a ganhar um beijo da Alice, e durante algum tempo, o único. S2

*Fotos do acervo pessoal do vovô e a da vovó.